Não bastasse ter negociado com um investigado por fraudes no Estado do Paraná, João Doria agora cancelou mais um de seus negócios da China, daqueles que só beneficiam uma das partes do acordo. O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, anunciou em coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta terça-feira,16, que o contrato com a intermediadora Hichens Harrison para a compra de respiradores chineses foi desfeito.
“Um dos fornecedores, a Hitchens Harisson, o contrato terminou o prazo de contratação ontem [15 de junho] e nesse sentido não houve a entrega total daquilo que estava acordado”, disse. “Em função disso, está cancelado o contrato e nós iremos passar de uma fase operacional para uma fase jurídica de encerramento do contrato. Foram entregues até agora 30% daquilo que tinha sido acordado” , afirmou. O que o secretário estadual de Saúde não disse: 30% significam a entrega até o momento de 384 equipamentos.
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A primeira encomenda, feita em março deste ano — e que já é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) — falava em 3 mil respiradores por R$ 500 milhões, com entrega em maio, o que não aconteceu. O atraso levou o governo a fazer a repactuação do acordo com a Hichens Harrison: Doria entrou com R$ 242 milhões de adiantamento e a empresa traria 1.280 equipamentos da China até 15 de junho. Como se viu, o dinheiro foi, mas apenas 30% do que era para ser entregue, chegou de fato.
“Então cada respirador está custando a bagatela de R$ 620 mil. Dez vezes mais caro que o praticado no Brasil.”, exalta-se o senador Major Olímpio (PSL-SP). “Tem que ter cadeia e ressarcimento aos cofres. Tem que apurar essa safadeza com o dinheiro público nesse momento de pandemia”, diz o senador.
Fonte: Revista Oeste